As três primeiras palavras que você encontrar, mostrarão a sua “personalidade” inconscientemente…
- O amor sempre vale a pena -
Eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar. Eu invento amor, sim e dói admitir isso. Mas é que não aguento mais não dar um rosto para a minha saudade. É tudo pela metade, ao menos a minha fantasia é por inteiro.. enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso é sempre isso mesmo, eu aqui meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. E aí eu deito e penso em coisas bonitinhas. E quando vou ver, já dormi.
- Tati Bernardi -
Um toque da solidão, e um dedo gracioso mas severo me traz à realidade: não depender nem dos meus amores, não me enfeitar unicamente com os ardores teus, mas ver que cada um de nós é um coração sozinho cada um de nós perenemente é um no espelho a se mirar, sabendo que mesmo se no leito desse vidro cinza um outro olhar nos busca e outro amor quer derramar-se em nós, os limites entre frio cristal e alma ardente são para sempre, e para sempre a amante solidão nos chama e abraça.
[Lya Luft, in: Secreta Mirada]
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.
[Ana Jácomo]
Vendo alma seminova, em bom estado. Algumas manchas na altura do peito, mas nada que três boas manhãs de sol e uma ida ao circo não atenuem. Adaptável a praticamente todos os tamanhos de invólucros corporais. Bom perfume, mesmo não tendo cheiro de talco. Único dono, apesar de algumas investidas de especuladores infernais. Dou preferência a quem tenha os estranhos hábitos de sorrir quando olha o céu e de sonhar sem fechar os olhos. Exigência: o interessado deve se comprometer a alimentá-la pelo menos duas vezes por dia com Quintanas sabor tradicional ou cambalhotas sabor framboesa. Tratar com o proprietário.
[André Gonçalves, in: Coisas de Amor Largadas na Noite]

